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Entrevista com o escritor Joe de Lima



O escritor Joe de Lima lançou hoje o último volume da Trilogia Vera Cruz"Ativista", que também é composta pelos impactantes “Arcanista” (já resenhado aqui no blog), e também pelo “Armamentista" (também com resenha disponível no blog). 

Em “Ativista”, Vera Cruz está em guerra e em meio ao caos dos conflitos um novo governo se estabelece, instaurando uma ditadura terrível. Enquanto Marcel se prepara para a sua próxima missão, Camila e Flora fazem planos para libertar o país. Na explosiva conclusão da série, o autor apresenta uma obra cheia de açãoromanceadrenalinafanatismo político reviravoltas surpreendentes

Nascido em 1981, Joe de Lima já publicou em antologias das editoras Buriti Infinitum Litera, também já publicou na revista digital Nupo e no podcast Desleituras. Além da Trilogia Vera Cruz, Joe também é o autor do livro “Dragão de Gaia”.

Para compreender um pouco sobre a Trilogia Vera Cruz e sobre este último volume da série, eu convidei o autor para uma entrevista exclusiva que você confere agora:

OVJ: Joe, sou um grande admirador do seu trabalho, do seu esforço em levar aos leitores histórias repletas de aventura. Mas o que mais me admira em você é o fato de todo o seu trabalho literário ser realizado de forma independente. Me fale um pouco sobre isso. Como é o caminho de um autor independente e quais são os desafios encontrados ao longo deste caminho?

JL: Olá, João Paulo! Obrigado pelos elogios e por todo o apoio nessa caminhada. Não vou mentir, ser independente requer esforço, dedicação e, principalmente, persistência. Mas no cenário atual do mercado brasileiro, esse é o caminho mais viável para quem não quer colocar a mão no bolso e pagar uma editora.

O maior desafio de ser independente é que tudo depende do próprio autor: revisão, diagramação, capa, publicação, marketing, divulgação, enfim… É sua responsabilidade administrar cada etapa do processo, seja contratando alguém, seja fazendo por si mesmo. Eu tento fazer a maior parte do trabalho pessoalmente. Para quem quiser seguir essa opção, recomendo que procure ter bastante conhecimento de como tudo isso é feito, aprenda a usar os programas necessários, tenha um bom domínio da língua portuguesa e se dedique bastante ao marketing e à divulgação.
Acima de tudo, tenha paciência, porque você vai estar fazendo o trabalho de uma equipe inteira. Não é a opção ideal, mas é a opção mais viável economicamente.

OVJ: Como surgiu a inspiração para criar a Trilogia Vera Cruz?

JL: Vera Cruz surgiu como um mix de ideias que não foram aproveitadas em outras histórias, junto com referências de obras que eu curto, como Final Fantasy, A Lenda de Korra e Fullmetal Alchemist. Além do mais, sempre procuro trazer críticas e questionamentos nos meus trabalhos, por isso acabei decidindo incluir o pano de fundo sócio-político e as questões ambientais. Foi uma forma que encontrei de colocar para fora minha visão sobre esses tópicos.

OVJ: Marcel é o personagem central da trilogia e o significado desse nome é “jovem guerreiro”, o que tem tudo a ver com o personagem. Você pesquisou o significado desse nome para nomear o personagem? Como surgiu o Marcel?

JL: Nem todos os meus personagens tem nomes com significado, mas no caso do Marcel foi isso mesmo. Fora que o sobrenome dele, Seeder, vem da palavra “seed”, que significa “semente”. Ou seja, você pode ver o Marcel como uma semente esperando para crescer e também como alguém que planta sementes por onde passa.
A criação do livro Arcanista veio num momento em que eu estava jogando Tomb Raider e lendo O Aprendiz de Assassino. São duas obras bem diferentes, mas com um ponto em comum: as duas tem protagonistas mais humanos. Personagens que sofrem durante suas jornadas, que cometem erros e se machucam. Adorei esse conceito e foi assim que a imagem do Marcel foi surgindo. Também peguei uma pequena influência da cena em que o Neo luta contra os cem Smiths em Matrix Reloaded.

OVJ: Uma coisa bacana em seus trabalhos literários é que cada uma de suas obras tem uma playlist que o inspirou durante o processo de escrita. Ativista, por exemplo, tem Linkin Park, Florence and the Machine e Luciano Pavarotti. Como é essa busca por inspiração para a escrita na música?

JL: Tudo fica mais divertido com uma boa música. Além das minhas bandas e artistas favoritos, costumo prestar muita atenção às trilhas sonoras de filmes e séries, e também dos games. Até comerciais e trailers, quando tem uma música legal, procuro descobrir qual é.

Na hora de montar a playlist de um livro, vou buscar dentro das minhas listas. Isso me ajuda bastante a entrar no clima certo, principalmente quando vou escrever uma cena-chave.

OVJ: Ativista é o terceiro e último volume da trilogia. O que o leitor pode esperar?

JL: Desde o primeiro volume, sempre tentei trazer questões sociais e politicas atuais. Só que lá se vão três anos trabalhando na série e nem preciso dizer que o cenário brasileiro ficou mais e mais caótico de lá para cá. Em Ativista, procurei atualizar as questões abordadas em Arcanista.
Os leitores também podem esperar mais aventura e ação, romance, conspiração e tudo o que está no DNA da série. Mas eu também queria trazer novos elementos. Nos volumes anteriores, a ação se passava em uma ou duas cidades, agora temos uma história de viagem, passando por várias cidades e regiões de Vera Cruz. A ideia é dar uma visão mais geral desse mundo.

OVJ: Alguns escritores lançam seus livros, mas optam por não divulgarem sua imagem pessoal. Nem mesmo no livro há foto do autor. Muitos deles até tem perfis em redes sociais, mas são bem reclusos. Você é bem diferente, é bem atuante nas redes sociais, onde fala principalmente sobre filmes, séries e games? Fale um pouco sobre esse contato com seus seguidores na internet. Acha importante essa relação?

JL: Quando você está dentro desse meio, é fácil perceber que uma das coisas que os fãs de literatura nacional mais gostam é a possibilidade de entrar em contato direto com os autores e autoras de seus livros favoritos. E quanto mais você mantém esse contato aberto, mais gente se aproxima, mais pessoas falam sobre o seu trabalho. Tenho muitos leitores que começaram como amigos nas redes sociais, e o contrário também acontece. Há pessoas que começaram como minhas leitoras e hoje são minhas amigas.
E à parte ser importante para a carreira, a verdade é que eu adoro esse contato. Cresci numa cidade do interior e tive poucos amigos que compartilhavam o meu entusiasmo pela cultura pop. É maravilhoso, hoje, estar em contato com tantas pessoas que gostam das mesmas coisas que eu. E fico especialmente feliz em saber que minhas histórias tocaram a vida de outras pessoas de alguma maneira.

OVJ: O que você lê de literatura nacional e estrangeira? Quais escritores você segue? Quais editoras você acompanha? Você se identifica com eles?

JL: Como escrevo ficção cientifica e young adult, esses são os tipos de leitura que mais procuro, mas tento não ficar preso só a esses gêneros. Sempre dá para aproveitar elementos de outros gêneros. Em Arcanista, por exemplo, usei alguns elementos de terror e suspense numa cena em uma casa abandonada.
Os autores nacionais que tenho curtido mais são Affonso Solano, Roberta Spindler, Fábio Brust e Priscila Gonçalves. Entre os estrangeiros, meus favoritos são Robin Hobb, James S. A. Corey e Ken Follett. Também comecei a ler Brandon Sanderson há pouco tempo e estou gostando muito (ele tem um curso de escrita fantástica bem legal no Youtube).

OVJ: Você também é blogueiro, né? Desatinos por Escrito é o seu blog pessoal. Fale um pouco sobre ele.

JL: Lá é onde falo de todos os assuntos que me atraem. Claro que literatura é o tema mais frequente. Também faço postagens sobre series de TV, games, quadrinhos, e qualquer outra coisa que atrair a minha atenção. Nem sei dizer quantas encarnações diferentes o blog já teve. Vira e mexe, tento dar uma renovada para manter divertido.

OVJ: Antes de finalizar, gostaria de agradecer a oportunidade de poder entrevista-lo e ressaltar mais uma vez que admiro demais o seu esforço em publicar seus livros de forma independente, isso é admirável. Parabéns pela Trilogia Vera Cruz, Joe! Por fim, deixe uma mensagem para os leitores, convide-os a conhecer seu trabalho e nos diga o que podemos esperar do Joe de Lima no futuro.

JL: Tem muitos gêneros e tipos de história que ainda quero escrever, mas por enquanto, acho que vou continuar na ficção cientifica. Sei que não é o gênero favorito dos leitores brasileiros, mesmo assim espero que ainda tenha um “boom” do sci-fi nacional, da mesma maneira como aconteceu com o terror e com a fantasia. E quando isso acontecer, espero fazer parte.
Agradeço demais pela oportunidade e pelo espaço. Meu blog e meus perfis no Facebook e no Twitter estão de portas abertas para os fãs da literatura nacional (também tenho um perfil no Instagram, mas não visito com tanta frequência). Apareçam lá para trocar uma ideia.

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