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Quanto custa viver?


*** Texto livremente inspirado no livro "Quarto de despejo - Diário de uma favelada", de Carolina Maria de Jesus.


É esta a principal pergunta que eu me fiz durante a leitura do livro "Quarto de despejo - Diário de uma favelada", de Carolina Maria de Jesus.

A resposta para esta pergunta talvez nos conduza a uma análise mais profunda e humana sobre os primeiros passos de qualquer ser humano, aquele o momento fundamental para o desenvolvimento de todo e qualquer indivíduo: o começo da vida.

Não é simplesmente o começo da vida, é o começo de tudo. É o começo dos sonhos, é começo de uma nova família, é o começo de uma grande jornada. O começo da vida é aquela fase em que qualquer detalhe pode mudar tudo no futuro, tonando-o grandioso ou desastroso.

Mas, quanto custa viver? É uma das perguntas que ronda o principal livro de Carolina Maria de Jesus. É possível observar a luta de Carolina, desde a sua infância em Sacramento/MG, cidade onde nasceu, à fase adulta já em São Paulo, dia após dia, para conseguir o alimento necessária para sua própria sobrevivência e a de seus três filhos: João José de Jesus, José Carlos de Jesus e Vera Eunice de Jesus Lima.

O custo de vida é muito caro para quem não vive dentro dos padrões que são preestabelecidos pela sociedade. Padrões que vão desde a alfabetização, passando pela cultura e, por fim, o padrão de vida. Para viver, você precisa trabalhar, pagar contas e impostos, pagar para estudar, pagar para aliviar dores, pagar para conversar com Deus e em muitos casos pagar para fazer amigos.

A vida não é justa, mas nascemos com o desejo de fazer justiça.

Para algumas pessoas viver exige muito dinheiro, pois precisam comprar roupas, automóveis de luxo, smartphones de última geração, viagens desnecessárias para compartilhar fotos com os demais e assim poder fazer parte de um grupo seleto da sociedade. Mas, para outras pessoas, ainda que em tempos difíceis, viver é poder acordar todas as manhãs, poder andar e sentir a luz do dia, ter uma família e amigos de verdade... É sentir-se peças importantes nas engrenagens da vida. É poder sair de casa e ter a possibilidade de fazer alguma coisa que contribua para a construção de um mundo melhor.

Cada um de nós, seja onde for e como for, está sempre construindo a vida que deseja.
Carolina construiu sua vida da maneira que pôde, e como pôde. Sentiu fome, raiva, ódio. Pensou até mesmo em suicidar-se, mas ela também sentiu amor e a vontade de viver sempre foi a grande arma para enfrentar o alto custo de vida que batia à porta todos os dias.

O tempo de Carolina não é diferente dos tempos antigos e também não é diferente do tempo atual: algumas pessoas têm em excesso e outras o necessário lhes falta. Essa desigualdade cresce a cada dia nas estatísticas, mas o interesse dos políticos em mudar esta injusta realidade não acompanha este crescimento. Nos dias atuais, muitas Carolinas ainda escrevem seu diário relatando a difícil jornada que precisam enfrentar para conseguirem sobreviver.

Ainda esta semana publicarei a resenha desta obra incrível que merece ser lida por todos. Um dos melhores que já li na vida. "Quarto de despejo" não é muito fácil de ser encontrado. Eu o comprei no site da Editora Ática. A quem interessar é só acessar o endereço: http://goo.gl/ZerkWk


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