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"A Última Estação", de Simone Maia


Neste seu primeiro livro individual, a escritora Simone Maia convida-nos, através de contos aliciantes, a viajar no tempo, alternando as saudades do que já passou, anterior à sociedade da informação, com a interpretação futura do ser cibernético que parecemos ser.

Encontramo-nos perante um contraponto temporal, nostalgia do tradicional em movimento sobre a fita da ficção, cada vez mais realidade.

Com um ritmo imposto pelo interesse e pela surpresa, depara-se-nos o imediatismo e a fugacidade das situações. O tempo é descontínuo. Será hoje, ontem ou amanhã?

A autora utiliza uma imagética subtil, extremamente variada, a que não falta um espírito dotado da maior lucidez crítica, com registros de elevado nível cultural, tendo por fundo a decadência e a autodestruição do ser humano enquanto tal.

Desmotivação e ansiedade. Fuga para a frente, em busca da Liberdade completa, por entre permanentes contrastes.

Necessário se torna franquear o condomínio fechado, reserva de privacidade e alienação do comum dos mortais neste mundo-reformatório, onde o “muro”, fronteira entre normalidade e alienação, assume o papel inexorável de inimigo do Homem, barreira aparentemente intransponível entre prisão e Liberdade.

Linguagem parabólica, desde o tempo de estar ao de ausência, com muitos porquês que ficam pendentes para a redescoberta do leitor... Sempre temendo o futuro que não se souber construir e adequar aos grandes valores civilizacionais.

Interessantes diálogos monologais com o alter-ego, quantas vezes ignorando intencionalmente o interlocutor casuístico.

Histórias recheadas de pensamentos filosóficos a caminho de transcender a coerência e a própria metafísica. Poderíamos dizer que estamos perante uma teia complexa, indutora de estímulos de pensamento e reflexão para um amplo leque de leitores.

Outra das valências destes contos é a redescoberta do desdobramento de personalidade:
“não existe bálsamo capaz de conservar o efêmero”...

Jogos de avanço e esquiva numa permanente esgrima doentia e incerta, rondando a incongruência de forma pedagógica e alertante...

Também somos convidados a observar os efeitos da química do optimismo, tão falsa como todas as falsidades, entre as falácias da vida e da morte, no espaço que vai do mito à realidade, suscitando uma saudável introspecção.

A notória riqueza vocabular dá a tudo quanto se disse uma moldura de elevado teor, exprimindo conhecimentos de psicologia e psiquiatria que contribuem para uma profunda reflexão sobre nós próprios e o mundo em que vivemos, cada vez mais isolados pelo desconhecimento objectivo da verdade e da solidão.

Eis um conjunto de contos diversificados com um fundo comum: o ser humano enquanto cidadão situado na conjuntura, deparando-se-lhe as grandes dúvidas epistemológicas e escatológicas que a todos preocupam.

Em “A última estação”, nome de baptismo desta obra, a autora abre-nos, enfim, a grande porta do futuro, página em branco onde a Humanidade poderá escrever o que quiser de acordo com a Sabedoria que tenha sabido recolher na escola da vida.
Vale a pena ler e reler como exercício de sobrevivência social e comunitária.

Joaquim Evónio
Funchal – Ilha da Madeira – Portugal www.joaquimevonio.com
Nota: este texto foi reproduzido em sua grafia original.


Viajantes, cliquem na imagem abaixo e peça já o seu exemplar à escritora. Eu já tenho o meu e será minha próxima leitura. 


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