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Central do Brasil

Imagem do Google


A primeira vez que tive contato com este filme foi no ano 2000, quando cursava a sétima série do Ensino Médio. Foi amor à primeira vista! Confesso que nesta época eu não era uma pessoa que prestigiava o cinema nacional e também não conhecia o trabalho de Fernanda Montenegro, mas assim que assisti ao filme, me apaixonei.

Era uma tarde ensolarada, entediante. Me lembro que um professor de Matemática (não me recordo seu nome) havia faltado e as próximas duas aulas, que seriam dele, iriam ficar vagas. Logo, ficaríamos "jogados" pelos corredores da escola.

Não demorou muito, após o início das aulas vagas, e uma professora substituta chegou à sala, para tristeza geral de todos. Vocês sabem, quando um professor titular faltava, ninguém queria ter aulas com um professor substituto. Nada contra eles, mas é que boa parte dos alunos preferiam ficar andando de sala em sala ou ir para o pátio jogar conversa fora. Tinha o grupo dos CDF's que preferiam ficar lendo na Biblioteca da escola e eu era um deles.

A professora era recém-chegada na escola e não havíamos sido apresentados ainda. Após as apresentações de praxe, fomos convidados por ela a irmos até a sala de vídeo assistir um filme. Lembro-me que boa parte dos alunos sugestionaram filmes de ação ou terror, mas a professora foi na contramão e colocou o filme "Central do Brasil" para assistirmos, em VHS.

Houve uma insatisfação elevada por boa parte dos alunos e a maioria acabou saindo da sala. Eu fiquei! Fiz muito bem.

O filme retrata a vida de Dora (Fernanda Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira). Ela, uma professora aposentada que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos, na maior estação de trens do Rio de Janeiro, Central do Brasil. Ele, um garoto pobre, que com oito anos de idade perde sua mãe no Rio de Janeiro e sonha com uma viagem ao Nordeste para conhecer o pai.
Dora conhece Josué, que após a perda da mãe fica perdido e entregue às várias formas de violência urbana, típicas de uma cidade grande num país subdesenvolvido. Após um grave acidente, onde Josué quase foi vítima de uma tentativa de tráfico para o exterior, Dora rendeu-se ao apelo do menino e o acompanhou em busca de seu pai e irmãos numa longa viagem para o sertão da Bahia e de Pernambuco

Imagem do Google
Ao escrever para analfabetos na Central do Brasil, a personagem de Fernanda Montenegro me trouxe à memória lembranças dos tempos em que eu escrevia cartas em nome de minha mãe, também analfabeta, para a minha saudosa tia que residia na cidade de Medina, região do Vale do Jequitinhonha (MG). Como não tínhamos telefone residencial ou aparelho móvel, usávamos deste meio de comunicação tão bem retratado no filme para enviar e receber notícias de parentes distantes.

Hoje em dia ninguém mais escreve cartas. Não com aquela empolgação de outrora. Que pena! A comunicação entre seres atualmente se limita às Redes Sociais e ao entediante e insuportável WhatsApp. Através das cartas podíamos sentir todas as emoções em cada palavra escrita.


"Central do Brasil" é um filme humano e também realista. É um convite à reflexão que nos chama a atenção quando nos permite entrarmos em contato com um personagem, cujo "poder de comunicação" é capaz de atravessar a tela e nos atingir diretamente.  

Vale a pena assistir esse maravilhoso filme. Eu fiz uma pesquisa no Google e existem diversos sites que disponibilizam o filme gratuitamente online pra assistir. Pesquise e assista.

Veja o trailer oficial do filme: 



Bônus:

Encontrei no youtube essa preciosidade:

Antonio Pinto e Jaques Morelenbau tocando a trilha instrumental do filme, ao vivo. Assista:




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