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A Perseguição - por João Paulo



Os milhares de pensamentos o faziam aumentar a velocidade do carro, tentando fugir da polícia. A excitação causada por uma ação cometida minutos atrás fazia seu coração acelerar. A euforia fazia com sua visão ficasse comprometida. Sem hesitar por um instante se quer, dirigia desgovernado pelas ruas de São Paulo. O calor era intenso. O sol escaldante. O suor era constante. Levou a mão à testa e retirou o excesso de suor. Ele estava nervoso, mas atento a sua volta. Mãos firmes no volante. Tinha que conseguir fugir. Olhou pelo retrovisor. A polícia era persistente.

Um movimento brusco fez com que o carro atravessasse o canteiro central de uma avenida, começando a dirigir em altíssima velocidade na contramão, provocando freadas bruscas em outros carros. O desespero era evidente. Maroto se sentia poderoso naquele volante. Na euforia em que se encontrava, não notou que um helicóptero também o estava perseguindo. A excitação tomou posse da razão. A única coisa que o rapaz conseguia pensar era em fugir da polícia. Olho novamente pelo retrovisor. O carro da polícia estava logo atrás. Pegou o revólver. Gritou: "Ninguém vai me pegar!!!".

Por um breve instante a razão venceu a excitação e o rapaz penso: "Não posso fazer uma coisa desta. Não com tanta gente na rua.". 

Um tiro no vidro traseiro do seu carro fez a razão desaparecer completamente. Excitação, euforia, adrenalina, tensão, alucinações, ansiedade... Percebeu a presença do helicóptero. "Droga!", gritou. Num ato impensável, Maroto pegou o revólver e começou a atirar a esmo. Não percebeu que este ato provocou um acidente. Uma das balas acertou um senhor que passava pela calçada. A polícia parou para prestar socorro. A fuga e a perseguição prosseguiu. 

Do asfalto à estrada de terra. O carro seguia a toda velocidade. A polícia também. Tiros eram ouvidos. O barulho do helicóptero fazia a sua parte. Seus pensamentos estavam desconexos. Por fim, veio a mente o ato que originou a perseguição policial. O assassinato! Com os olhos tomados pelo ódio, verteu uma lágrima e disse:

- Matei! Eu matei aquele idiota, sim. Ele tirou tudo o que era meu. Acabou com a minha vida. Eu disse que iria me vingar. Teve o que mereceu. Espero que esteja no inferno. Tomara que esteja ardendo em chamas. Eu vou sair livre daqui. Ninguém vai me pegar.

Da estrada de terra ao asfalto. Uma avenida movimentada. Por mais que se esforçasse, Maroto não conseguia despistar as dezenas de carros de polícia que estava atrás dele. A gasolina ameaçava acabar. O rapaz estava começando a ficar encurralado. A munição chegou ao fim. O coração começava a ficar apertado. O que iria acontecer agora? A resposta veio como um raio: a prisão. As pessoas acompanhavam tudo pela televisão. A transmissão era ao vivo. Deleite para os apresentadores sensacionalistas. 

Controle. Maroto não tinha mais domínio de si mesmo. Mãos trêmulas. Os telespectadores estavam em tensão constante. Os apresentadores sensacionalistas estavam afoitos para que uma desgraça acontecesse com o rapaz. Conseguiram.

Maroto dirigia em alta velocidade pela avenida com os olhos fixos no horizonte. Não notou que estava na contramão. Até que seus olhos perceberam um grande caminhão a sua frente. A transmissão ao vivo foi interrompida. Cenas fortes se anunciavam. Num impulso, Maroto freio o carro, mas era tarde demais. O carro colidiu de frente com caminhão. Duas mortes. O acidente aconteceu por volta das 17h30.

A vítima que estava no carro foi identificada como Vinícius Alexandre, vulgo, Maroto. Um jovem de 27 anos que havia assassinato seu próprio pai em casa. O motorista do caminhão foi identificado como Marcelo Prates, irmão de Maroto. 


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2 comentários :

  1. UAU! De perder o fôlego! Parabéns!
    Se tiver um tempinho, passe lá no meu blog. O último texto publicado ("Uma aliança de diamantes) tem a ver com a cidade de Bauru... ;-)

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    1. Que bom que você gostou, Zulmira. Manda o link do seu blog pra mim?

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