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Desejos e Vinganças - Prólogo




Sergio estava inerte no topo de um edifício abandonado, no centro de São Paulo. Totalmente preso ao sentimento de solidão, a única coisa que conseguia ver a sua frente era a escuridão. Mesmo com a movimentada rua onde se encontrava, o sentimento de solidão consumia a pouca sanidade que lhe restava. Ele estava cansado de todos os dias serem iguais: mesma família, mesmas brigas e sempre pelos mesmos motivos. Sempre os mesmos amigos falsos e sempre os mesmos amores medíocres e decepcionantes. O mesmo trabalho, o mesmo trajeto... Tudo sempre o mesmo, nada mudava, exceto o menino doce e inocente de alguns anos atrás. Aquele menino, agora com 37 anos, tornou-se um homem bonito e que todas as mulheres desejam e os homens invejam. Cabelos negros e curtos, pele morena, olhos grandes e negros e uma boca bem desenhada, com dentes branquíssimos. Apesar de bonito e de se esforçar para parecer feliz para as outras pessoas, Sergio, tinha os olhos tristes e poucos percebiam isso.

Dois mundos se chocavam em sua cabeça: a vida e a morte. Entretanto, neste momento, ele conseguia ver na morte aquilo que não conseguia ver na vida. Milhares de pensamentos invadiam a sua mente, ao mesmo tempo, sentia-se vazio. Sentia amor e ódio por si e pela vida que possuía. Ele chorava e ria. Achava que iria ficar louco e não conseguia encontrar a luz. Ele apenas queria ter uma vida diferente daquela que vivia atualmente. Sua cabeça não aguentava mais. Ele chorava incansavelmente, sentia vontade de se cortar para se livrar desse sentimento. A chuva começava a cair e ele sentia as gotas de água cair sobre o seu corpo como se fossem pedras. Doía, mas a dor física não era tão forte quanto à dor na alma. Ele precisava de algo que o tirasse da realidade, da rotina, da amargura, algo doce e suave como a morte, mas que o fizesse sentir amor pela vida.
Sergio, então, deu um passo à frente e abriu os braços. Neste momento, um pequeno estalo no ar seguido de um som agudo e um forte clarão cortando o céu fizeram com que ele se assustasse e desse um passo para trás. Parece que o céu estava tentando impedir Sergio de cometer uma loucura, com o barulho de um trovão e a claridade do raio. Então, ele desceu do caixote onde estava e sentou-se, aos prantos, olhou para a avenida que mesmo com a chuva estava bem movimentada e sentiu como se o concreto estivesse o chamando.

A chuva caía incessantemente, mas, para Sergio, era insignificante. Ele não se importava, pois a única coisa que queria era se livrar de todo o peso que estava sobre sua vida, queria se libertar de todos os problemas, de todos os amigos falsos, do casamento falido, dos sonhos perdidos, dos pesadelos constantes, da família exploradora, de todas as coisas ruins que estacionaram sobre sua vida desde muito tempo atrás. A vida parecia desaparecer de seus olhos, as forças esvaiam-se de seus músculos, nada mais importava, parecia estar possuído, inerte em seu mundo particular, perdido nas memórias de outrora, sem força para viver, sentindo a necessidade de se libertar.

Sérgio levantou-se, ficou em pé novamente sobre o caixote, abriu os braços, fechou os olhos e deu um passo a frente. Estava a um passo de sua tão sonhada libertação. Limpou com ódio as lágrimas que insistiam em cair dos seus olhos ainda repletos de mágoa, tristeza e solidão. Talvez ele não soubesse ao certo o que estava fazendo, ou o que queria fazer, mas deu mais um passo a frente e estava com as pontas dos dedos sem sustentação. Decidido, Sérgio disse em voz alta as seguintes palavras:

     - Eu vou finalmente descansar de tudo, me libertar do peso que está em minha cabeça. - disse, permitindo que uma última lágrima escorresse pelo rosto.

Depois disso, fechou os olhos, pediu perdão a Deus e a todos os seus amigos e familiares em pensamento, mas não conseguiu cometer o ato insano de desespero. Um grito de uma mulher o impediu:

- Não faça isso! Por favor, não faça o que você está querendo fazer.

- Quem é você? O que está fazendo aqui? – perguntou.

- Meu nome é Regiane e estou aqui para te ajudar. Podemos conversar?

- Não! Vá embora daqui.

- Só te peço uma oportunidade para ouvir o que tenho a dizer. Depois, você poderá fazer o que quiser. Me dá a sua mão? – pediu Regiane estendendo a sua mão em direção à Sérgio – Só quero te ouvir e te ajudar. Vem?

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4 comentários :

  1. Oie. Tudo bem?

    Prólogo bem interessante. No começo parecia mais um clichê adolescente, ainda bem que me enganei!

    Parabéns! Gostei, você escreve bem.

    Abs!

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    Respostas
    1. Ufa!!! Que alívio. Fico feliz que tenha gostado, Jhonatan! Em breve esse livro será lançado ;-)

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  2. nossa profundo kkk beijos
    ja estou seguindo
    http://livro-azul.blogspot.com.br/

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