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Domingos de Zé Pequeno - João Paulo Silva



Quando se vive só numa comunidade, a única lei é lutar para sobreviver. O homem possui uma condição de superioridade sobre as outras criaturas do reino animal. Não satisfeito com isso, o homem passou a se sentir superior em relação ao homem que vive na mesma condição e, cada um, passou a se sentir superior sobre cada um. Assim nasceram as guerras, a inveja, a ambição, o egoísmo... O homem se tornou o predador do próprio homem e o veneno é extremamente tóxico, especialmente para o coração.
Domingos de Zé Pequeno era filho de José. José, foi apenas mais um José. Nasceu, cresceu, trabalhou, casou, teve dois filhos, um morreu... José, também morreu. Para Domingos, seu pai foi um grande homem de quem se orgulha até hoje.
Dominguinhos, como era carinhosamente chamado por seu pai, não era do tipo de pessoa que ficavam esperando as coisas caírem do céu. Muito pelo contrário, ele corria atrás dos seus objetivos, nao tinha medo de correr atrás de seus sonhos.
Por falar em sonho, o maior sonho de Domingos de Zé Pequeno era ser reconhecido pelo Senhor Supremo da Sociedade e conseguir uma vaga na sociedade. Seu pai lutou a vida inteira para isso, mas nunca conseguiu. A imagem, a aparência contava muito para impedir o reconhecimento. Dinheiro era a fonte principal para a tão sonhada vaga.
Dominguinhos queria conseguir algo impossível: ganhar a vaga na sociedade pelo seu esforço, pelo seu trabalho e não por dinheiro. Por isso ele trabalha muito. Aprendeu tudo desde muito cedo com seu pai e fazia todo tipo de serviço que aparecia. Não tinha medo de encarar os desafios. Construía casas, varria ruas, fazia a limpeza de esgotos... enfim! Fazia tudo aquilo que os membros da sociedade achavam indignos de fazer.
Por mais que ele ser esforçasse, ninguém olhava pra ele. Os tais membros da sociedade olhavam com nojo para o pobre coitado, alguns deles haviam declarado que ele nunca conseguiria a sua vaga na sociedade. Tampouco, uma vaga na faculdade da cidade para cursar Arquitetura e Urbanismo, um de seus sonhos. Os membros não queriam seus filhos misturados com o dejeto da sociedade.
...
De repente, Leopoldo, o Senhor Supremo da Sociedade seguido de uma grande multidão foram em direção a Dominguinhos. Por um instante, a fantasia tomou posse de sua realidade e ele começou a sorrir com a hipótese de ter chegado o seu grande momento: a ascensão. Ficou tão fora de si que só quando ouviu o grito dos poderosos, acordou para a realidade e viu que estavam todos com tochas e pedações de madeiras nas mãos.
Os guardas amarraram Domingos e o conduziu aos grande e imponente portão da entrada da cidade. O pobre homem foi condenado ao pior castigo que um homem pode ter: a solidão. Ele foi proibido de ultrapassar os limites da inteligência humana. Condenado a passar o resto de sua vida na Cidade dos Excluídos.
O que o Senhor Supremo da Sociedade e seus membros não sabiam, é que Dominguinhos não se deixaria abater. Claro que a dor era grande, mas a sua força de vontade era maior. A solidão não o incomodava de modo algum, mas se entristecia sempre que passava em frente ao Portão dos Altos e ele estava fechado. Nem por um segundo, o portão era aberto.
Seguia seu caminho sempre trabalhando. Este homem de coragem aprendeu que a gula, a inveja, a soberba, a falta de amor são os principais venenos que fazem a vida do homem ser curta e e infeliz. Aprendeu que o 'homem é o lobo do próprio homem'.
O tempo passou... Dominguinhos estava deitado na rede do quintal daquilo que ele chamava de Lar Doce Lar quando ouviu um grande alvoroço. O grande Portão dos Altos estava aberto. A Cidade dos Excluídos era vigiada por câmeras o tempo todo pelos membros da sociedade. Eles tinham medo que as pessoas que viviam lá ultrapassassem os limites da inteligência humana.
Pela primeira vez, Leopoldo, o Senhor Supremo da Sociedade, havia entrado na cidade dos excluídos. Já velho e com dificuldades para andar ele gritou chamando Domingos de Zé Pequeno. Havia chagado o grande dia! Finalmente, Dominguinhos tinha conseguido a sua tão sonhada Vaga na Sociedade.
Certo dia, Dominguinhos foi ter-se com Teodoro, um velho sábio da Cidade dos Excluídos: "Senhor Teodoro, por que eles resolveram me reconhecer como membro da Sociedade?"
O Velho Sábio respondeu: "Meu grande amigo, quando queremos alguma coisa, temos que correr atrás até conseguirmos. Sempre utilizando da honestidade e do respeito ao próximo, mentalize, crie energia positiva em volta daquilo que você quer, nuca desista e o seu desejo se tornará realidade. Um dia, o Senhor Supremo da Sociedade, esteve na Cidade dos Excluídos, sofreu muito, mas utilizou das ferramentas da ambição e da crueldade para conseguir chegar onde está hoje. Sabendo que está chegado a sua hora, um faísca de sensibilidade e amor clareou o seu coração e ele percebeu que tinha feito tudo errado. Procurou, de alguma forma, tentar amenizar o peso de sua consciência. Todos nós somos iguais, meu filho".

[João Paulo Silva]
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